quinta-feira, 16 de abril de 2009

A minha tarde remota



"Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo."

(Gabriel García Márquez, Cem Anos de Solidão)


Eu não conheci o gelo. Se há alguém nessa parte do mundo que não o fez, somos nós. Como você, eu conheci o Corinthians. E diante do gelo sempre hei de recordar aquela tarde remota em que meu pai me levou para conhecer o Corinthians.

Como convém, não me recordo quando foi. Recordo-me de muito pouco, na verdade, mas hei de recordar a cada solidão que ali eu conheci um bom pedaço da minha própria alma.

Recordo-me que foi no Canindé. Eram como fantasmas em branco e preto, que já me haviam feito chorar na frente de aparelhos de TV, e que agora estavam ali, à minha frente, à frente de outra entidade que eu duvido com todas as minhas forças que exista igual no mundo. E eu era, ali, sem saber, parte daquilo que há de mais vivo e transcendente no povo que não tem uma segunda oportunidade sobre a Terra.

2 comentários:

Tatanka Yotanka disse...

O futebol é uma experiência de vida espetacular. O Corinthians é uma experiência também de amor, que estreita os laços entre pais e filhos. Quem dera houvesse uma lei que obrigasse pais a frequentarem os estádios ao lado dos filhos.

benedito tiago disse...

VEIO SIMPLESMENTE D+ OOoo