domingo, 26 de abril de 2009

Corinthians e Ronaldo: Sinergia dos Renascidos


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Discussão curiosa espouca aqui e ali. Alguns torcedores
evitam exaltar Ronaldo (e até criticam quem o faz) por
acreditarem que isso diminui os outros jogadores ou o
próprio Corinthians.

Ora, mas é temor ingênuo...

Logicamente, o Corinthians é maior que qualquer atleta
vivo ou morto que envergou o manto sagrado.

O Corinthians não é somente um clube ou time de futebol.
Muito mais que isso, é uma cultura, um fenômeno social,
a organização que melhor representa a síntese de nosso
povo.

Não é à toa que fomos chamados pela imprensa de time
dos "carroceiros", dos "operários", dos "mestiços", dos
"imigrantes", dos "braçais", dos "anarquistas", dos
"pretos", dos "suados"...

E não é à toa que essa cultura superou o limite de seu
estrato social.

Essa mística seduziu o bom Alcântara Machado, o escritor
viciado em descrever a diversidade da capital paulista;
Antônio Ermírio de Moraes, o empresário viciado em trabalho;
o bispo Paulo Evaristo Arns, o homem de Deus viciado em
fazer o bem...

Mas, afinal, o que faz de alguém corinthiano?

O que cria essa identificação?

O Corinthians está identificado com as grandes causas do
homem e, principalmente, com as causas dos que procuram
vencer a sorte, superar expectativas, renascer das cinzas.

Alcântara Machado seduz-se pela diversidade e pela paixão
de nossa gente...

Moraes afirma que admira nossa história de trabalho duro,
suado, cotidiano, coisa de quem abriu a primeira cancha
de jogo com as próprias mãos.

Dom Paulo tingiu o coração de preto e branco pela causa
da justiça, da esperança e da fé compartilhada.

Alguns grandes jogadores passam por aqui e nada ocorre.
Desaparecem nas estastísticas.

Outros, ao contrário, ingressam na galeria da glória.
Muitos desses são outsiders. São os casos do invocado
Neco, do desobediente Teleco, do encrenqueiro Luizinho,
do revolucionário Sócrates, do questionador Casagrande,
do provocador Vampeta, do irreverente Viola, entre
tantos outros.

Ronaldo era o acabado, o ex-jogador, o aposentado, o
enjeitado. E veio recuperar a credibilidade em nossa
casa.

Logicamente, Corinthians e Ronaldo foram motivos de
chacota nos últimos tempos. Um, rebaixado; o outro,
ferido e obeso.

De repente, no entanto, instaura-se uma bela e mágica
sinergia. O Corinthians ostenta uma incrível série
invicta e está prestes a conquistar mais um
campeonato.

Ronaldo carimbou com gols todos os três rivais
paulistas. Foi corajoso contra o Palmeiras, um atleta
velocista contra o São Paulo e um ourives preciso nos
tentos contra o Peixe.

Pois, hoje está claro que a grandeza do Corinthians
abraçou generosamente a causa de Ronaldo,
estrela nascida do povo, "maloqueiro" no sentido que o
termo ganhou com Adoniran Barbosa, mestre em superar
desafios, doutor-sofredor na arte de renascer quando já
o dão por morto...

Ronaldo virou luva na forte mão corinthiana. E o clube
do povo ganhou mais um valente soldado de Jorge, mais
um moço com a cara da gente.

3 comentários:

carlosaam disse...

Impressionante os momentos : Corinthians voltando de um período de grande queda e humilhação encontra Ronaldo a procura de um clube que o desse uma luz no fim do tunel. Casamento perfeito ! E é só o começo. O corinthiano não poderia ter um renascimento melhor. Renasceu com o técnico e com o elenco bravo e valente que juntos já há um ano fazem o melhor. Elenco soberbo, complementado na hora certa pelo grande guerreiro vencedor e artilheiro em busca do renascimento gêmeo e alvinegro, pura e simplesmente pelo gosto de jogar futebol.

ROBSON disse...

VAMO CORINTHIANS!!!!

A HORA ESTÁ CHEGANDO!!

http://www.youtube.com/watch?v=DllYyefL68Q

Lara disse...

O texto é tão perfeito quanto a história guerreira de identificação entre Ronaldo e o Corinthians.

Parabéns!

Vamos Corinthians, com raça e com o coração, pois a razão já está garantida em campo com a escalação de Ronaldo. ;)